terça-feira, 13 de junho de 2017

Ponto Pacífico. E Atlântico.


Jesus Raphael Soto: volume suspenso, cinético. Pausa de silêncio, de movimento e de silêncio. Não apenas a realização de uma teoria, não apenas o resultado de uma pesquisa, mas um corpo auto-propulsor e auto-definido. O próprio autor declarava que ''o movimento era para ele uma RELAÇÃO e não um objeto que se mexe ''. 


Sua obra se baseia numa relação com o tempo e o espaço, relação de transcendência de ambos. Meditação, olhar oriental, ciente de que o dinamismo não exclui o apelo à descida profunda dentro do silêncio. Sua obra é uma resposta à concepção errada do movimento no Ocidente, que predomina ainda hoje na sociedade tecnológica. O Ocidente apreende o movimento apenas em sua relação com o lucro e as fainas de ''quebrar etapas'', desservindo os interesses autênticos do homem e da pátria. 



A riqueza das linhas, a ''verdade da luz '', a constância da geometria, , essa força de beleza que regenera e corrige tantas deformidades que podemos, nas palavras de Kandinsky, considerar ''abstratas''. Para além do ''environnement. A série inteira nos ajuda a compreender e explorar as possibilidades da visão.


O espectador não está num lado e o mundo do outro, somos partes constituintes de uma realidade fervilhante de forças vivas e misteriosas, muitas das quais invisíveis. Estamos no mundo sem possibilidade de recuo diante da matéria-energia, energia-informação: dentro e não ''em face de''.  Não há espectadores, só participantes


Ali o movimento o ajudaria a interpretar o significado das linhas quando imóveis ---- sobretudo as verticais. . Conhecer a hora precisa da pausa, do intervalo, que renuncia aos gestos supérfluos, acentuando o aspecto civilizado de uma obra. Lucidez cujo esquema podemos entrever.



K.M.

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